quarta-feira, 30 de setembro de 2009

“O PALHAÇO”

Ontem, viu-se-lhe em casa a esposa morta,
E a filhinha mais nova, tão doente,
Hoje, o empresário vai bater-lhe a porta,
Que a platéia o reclama, impaciente.

Ao palco, em breve surge...pouco importa
A sua dor áquela estranha gente...
E ao som das ovações que os ares corta,
Trejeita, canta e ri, nervosamente.

E aos aplausos da turba, ele trabalha,
Para manter-se no manto em que se embuça,
A cruciante dor que o retalha.

No entanto, a cruel dor mais se lhe aguça,
E enquanto o lábio trêmulo gargalha,
Dentro do peito, o coração soluça.

(Pe.Antônio Thomaz)

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